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The Thing (1982)

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Este filme não o apanhei no cinema, com 9 anos não teria permissão. Mas assim que me foi oferecido o meu primeiro VHS subornei o funcionário do clube de vídeo com uma caixa de meia dúzia de pastéis de Tentúgal. A outra meia dúzia seria entregue quando me guardasse o Terminator. Alugado a uma sexta, foi visto uma dezena de vezes durante o fim de semana por exércitos de putos que entravam e saiam de minha casa. Uns eram amigos outros pagavam vinte escudos e não podiam falar durante o filme sob ameaça de tempestade de calduços. Antes de ser entregue foi copiado 3 vezes e as suas cópias de cópias vendidas a 200 escudos mais o preço da cassete. Fotocópia da capa era mais 15 escudos. O lucro deu para comprar dois discos de Megadeth, três Ginas e um alicate de cortar ferro.

Existe uma corrente de cinéfilos nascidos depois dos anos 80 que tem como ideia preconcebida o facto de que todos os filmes antigos são monótonos, parados e  mal feitos. No que diz respeito a ficção científica ou cinema de terror assumem que sem CGI e sem overkill de efeitos especiais as obras eram cinzentonas e idiotas. Pois bem, caros amigos, deixem-me que vos esbofeteie com uma luva branca cheia de pilhas alcalinas e vos confronto com o assombroso The Thing, uma obra que revi recentemente em glorioso HD em versão restaurada. O apogeu do mestre Carpenter, do cinema analógico e orgânico, das criaturas mecânicas, da imaginação, da construção de ambiente e do cuidado no argumento.

O ambiente é inóspito. Passar uma época de isolamento no pólo sul não é para todos. Uma imensidão branca de claustrofobia e desespero. Muito semelhante ao ambiente de uma viagem espacial. É, aliás, a Alien que este The Thing vai buscar alguma da sua inspiração. A tensão provocada pela paranóia e pelo medo. A lenta construção do ambiente, o silêncio entrecortado por um barulho ocasional de acelerar o ritmo cardíaco.  A solidão. “Quem estará infectado? Eu não de certeza… ” e o festim de destruição e animatrónica final é algo que actualmente se costuma designar por “épico”. O Outpost 31 passou assim a ser um lugar de culto.

Apesar de andar afastado da ribalta há cerca de 15 anos, John Carpenter tem um legado incomparável na área do cinema de terror, fantástico e na série AB, caracterizada por filmes entalados entre a primeira divisão blockbustereana e o independente. Não esqueçamos nunca que este Mestre é responsável por clássicos intemporais como The Fog, Halloween, Escape from New York, Christine, They Live, In The Mouth Of Madness (o meu favorito) e muitos outros que fizeram borrar muita cueca nos anos 80 e 90. Apesar de tudo, Carpenter é o mestre do terror não brainless.

É um remake é verdade, mas ainda assim catalogo-o como clássico. Uma cinematografia de excelência, como era apanágio da época, uma forte narrativa, um filme que não envelheceu. Se tiverem oportunidade, dêem-lhe uma trinca! É  um filme para desenfastiar de algumas violações sensoriais de que somos vítimas nas grandes produções actuais.


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